Crédito habitação: quanto pode pedir e que casa pode comprar
A conta que o banco faz primeiro, com as regras do Banco de Portugal em vigor desde 1 de agosto de 2026 — e o IMT e o Imposto do Selo já somados à entrada.
Não é uma proposta nem uma aprovação de crédito: é a ordem de grandeza, para saber que casas visitar.
Casa até
287.269 €
Com 240.662 € de empréstimo a 35 anos e 60.000 € de poupança.
- Empréstimo
- 240.662 € (84% da casa)
- Prestação
- 1.118 € por mês, a 4,362%
- Taxa de esforço
- 37,3% do rendimento
- Prestação no teste do banco
- 1.350 € a 5,862%
- Máximo pela taxa de esforço (45%)
- 1.350 € por mês
- Entrada
- 46.607 €
- IMT
- 9.651 €
- Imposto do Selo (compra e crédito)
- 3.742 €
- Dinheiro seu, no total
- 60.000 €
Quem manda aqui é a taxa de esforço: o empréstimo já está no máximo que o rendimento permite, e cada euro a mais de casa sai da poupança. Para pedir mais, é preciso mais rendimento, menos prestações de outros créditos ou uma taxa mais baixa.
Fora da conta: a avaliação, a escritura, o registo, os seguros e as comissões do banco. O banco decide com a sua avaliação da casa e do seu historial, e pode emprestar menos.
As regras do Banco de Portugal desde 1 de agosto de 2026
Os bancos não emprestam o que querem: o Banco de Portugal fixa limites a todos os créditos à habitação novos, e reviu-os em julho de 2026, em vigor para as avaliações feitas a partir de 1 de agosto.
- Taxa de esforço até 45% do rendimento líquido (era 50%), somando as prestações de todos os créditos. Cada banco pode passar este limite em até 10% do crédito que concede por semestre.
- Com a taxa agravada: a prestação do crédito novo é testada com a taxa de juro mais 1,5 pontos percentuais, para garantir que ainda cabe se os juros subirem.
- Até 90% do valor da casa na habitação própria e permanente e 80% nas outras. Deixou de haver a excepção de 100% para casas vendidas pelos próprios bancos.
- Prazo até 40 anos para quem tem até 35 anos de idade, e até 35 anos a partir daí.
O efeito, num caso concreto: com 3.000 € líquidos por mês, sem outros créditos, 38 anos e uma TAN de 4,362%, o limite de 45% permite pedir até 240.662 €. Com a regra antiga dos 50% seriam 267.402 € — menos 26.740 € de crédito com o mesmo salário. E uma prestação de 250 € de um carro tira 44.567 € à casa.
A Euribor subiu, e para quem vai pedir conta duas vezes
O Banco Central Europeu voltou a subir as taxas em 2026, e a Euribor a 12 meses acompanhou: estava em 2,245% a 2 de janeiro de 2026 e em 3,362% a 29 de setembro de 2026.
Para quem já tem crédito a taxa variável, a prestação sobe na revisão seguinte. Para quem vai pedir, sobe duas vezes: na prestação e no teste do banco, que soma 1,5 pontos à taxa. No caso de cima, a mesma família podia pedir 276.332 € com a Euribor de janeiro e pode pedir 240.662 € agora: menos 35.670 €.
A taxa fixa e a mista protegem a prestação durante o período fixo, normalmente com uma taxa inicial mais alta. Qual compensa depende do prazo, do seu orçamento e da proposta concreta — e é conversa para o intermediário de crédito, não para o simulador.
Até aos 35 anos: garantia pública e IMT Jovem
Com a garantia pública, o Estado garante até 15% do empréstimo e o banco pode financiar a casa toda. As condições: ter até 35 anos, ser residente fiscal, ter rendimentos até ao 8.º escalão do IRS, não ser nem ter sido dono de casa, ser a primeira habitação própria e permanente, e a casa não passar de 450.000 €. Vale para contratos assinados até 31 de dezembro de 2026, e até agora não há decisão de a prolongar.
Junta-se o IMT Jovem: sem IMT nem Imposto do Selo da compra até 330.539 €. O que isto muda, num caso: com 2.200 € líquidos por mês, 30 anos e 10.000 € de poupança, a garantia e o IMT Jovem levam a casa possível até 192.022 €. Sem eles, com os mesmos 10.000 € a pagar 10% de entrada e os impostos, ficava em 88.180 €.
O prazo também pesa: aos 35 anos ainda se pede a 40 anos; aos 36, a 35. No exemplo da família, esse ano de idade vale 9.049 € de crédito.
O que custa o crédito além da prestação
- Imposto do Selo sobre o empréstimo: 0,6% do capital, pago uma vez, em prazos de 5 anos ou mais; e 4% sobre os juros de cada prestação.
- Avaliação da casa pelo perito do banco, paga por si antes da aprovação, e as comissões de dossier e de formalização.
- Seguros de vida e multirriscos, que o banco exige. Pode fazê-los fora do banco, desde que cumpram as coberturas pedidas.
- Escritura e registo da compra e da hipoteca.
- Reembolso antecipado: até 0,5% do capital amortizado na taxa variável e até 2% na taxa fixa. A isenção da taxa variável terminou a 31 de dezembro de 2025.
É por isso que se comparam propostas pela TAEG e pelo MTIC, e não pela TAN: a TAN é só a taxa de juro; a TAEG junta-lhe as comissões e os seguros, e o MTIC diz quanto vai pagar no total.
Onde entro eu
Não sou intermediário de crédito — é actividade regulada pelo Banco de Portugal e não a exerço. Encaminho para intermediários registados com quem trabalho, e trato da parte que é minha: o imóvel, a avaliação bancária e os prazos que o crédito impõe ao contrato-promessa e à escritura.
O ponto a vigiar não é só o spread. Um contrato-promessa assinado antes da aprovação do crédito, ou com um prazo para a escritura que o banco não consegue cumprir, pode custar o sinal. A ordem certa é: simulação, aprovação de princípio, contrato-promessa com prazo realista, avaliação, escritura.
Perguntas frequentes sobre o crédito habitação
Quanto posso pedir de crédito habitação?
O banco começa pela taxa de esforço: as prestações de todos os seus créditos não podem passar de 45% do rendimento líquido, calculadas com a taxa agravada em 1,5 pontos. Com 3.000 € líquidos por mês, sem outros créditos, 38 anos e uma TAN de 4,362%, isso dá cerca de 240.662 € a 35 anos. Depois, o empréstimo não pode passar de 90% do valor da casa, se for a sua habitação própria e permanente.
Quanto preciso de ganhar para comprar uma casa?
Depende do preço, da taxa e da poupança. Como referência: um casal com 3.000 € líquidos por mês e 60.000 € de poupança chega a uma casa de cerca de 287.269 €, já contando com o IMT e o Imposto do Selo. O simulador desta página faz a conta com os seus números.
Quanto dinheiro preciso de ter para comprar casa?
Pelo menos 10% do valor da casa, porque o banco empresta no máximo 90% na habitação própria (80% nas outras), mais o IMT, o Imposto do Selo da compra (0,8%) e o do crédito (0,6% do empréstimo). Na casa de 287.269 € do exemplo, são 60.000 € de dinheiro próprio, dos quais 13.393 € de impostos. Somam-se a avaliação, a escritura, o registo e os seguros.
Qual é a taxa de esforço máxima?
45% do rendimento líquido mensal, desde 1 de agosto de 2026 (era 50%). Contam as prestações de todos os créditos — casa, carro, cartões — e a do novo crédito é calculada com a taxa agravada em 1,5 pontos percentuais. Cada banco pode ultrapassar este limite em até 10% do crédito que concede por semestre.
Qual é o prazo máximo do crédito habitação?
40 anos para quem tem até 35 anos de idade e 35 anos a partir daí. No exemplo desta página, fazer o pedido aos 35 e não aos 36 anos permite pedir mais 9.049 €, com o mesmo rendimento. Os bancos também limitam a idade no fim do contrato: confirme com o seu.
Os jovens conseguem financiamento a 100%?
Com a garantia pública, sim: até aos 35 anos, com rendimentos até ao 8.º escalão do IRS, na primeira habitação própria e permanente e em casas até 450.000 €, o Estado garante até 15% do empréstimo e o banco pode financiar a totalidade. Vale para contratos assinados até 31 de dezembro de 2026; até agora não há decisão de a prolongar.
A prestação sobe se a Euribor subir?
Na taxa variável, sim, na revisão seguinte do indexante. A Euribor a 12 meses passou de 2,245% a 2 de janeiro de 2026 para 3,362% a 29 de setembro de 2026. Para quem ainda vai pedir, a subida conta duas vezes: na prestação e no teste do banco, que lhe soma 1,5 pontos.
Posso amortizar o crédito antes do fim?
Pode, pagando uma comissão de reembolso antecipado de até 0,5% do capital amortizado na taxa variável e até 2% na taxa fixa. A isenção que existiu para a taxa variável terminou a 31 de dezembro de 2025.
O Eli Pereira trata do meu crédito?
Não. Não sou intermediário de crédito — é actividade regulada pelo Banco de Portugal e não a exerço. Encaminho para intermediários registados com quem trabalho e trato da parte que é minha: o imóvel, a avaliação bancária e os prazos que o crédito impõe à escritura.
Fontes e revisão
- Banco de Portugal, medida macroprudencial sobre os novos créditos à habitação e ao consumo, revista em julho de 2026 e em vigor desde 1 de agosto de 2026.
- Garantia pública para a compra da primeira habitação por jovens (Decreto-Lei 44/2024), em vigor para contratos até 31 de dezembro de 2026.
- Euribor a 12 meses: valores diários do European Money Markets Institute, consultados em euribor-rates.eu.
- IMT e Imposto do Selo: o motor do simulador de IMT deste site, com as tabelas de 2026.
Revisto por Eli Pereira, consultor imobiliário. Última revisão: . É uma simulação: não substitui a proposta nem a aprovação de um banco, nem o aconselhamento de um intermediário de crédito registado no Banco de Portugal.
Já sabe quanto pode pedir?
Então falta a casa. Diga-me o valor e a zona: mostro-lhe o que há, digo-lhe com franqueza o que vale, e ponho-o em contacto com um intermediário de crédito registado se ainda não tiver um.